sexta-feira, setembro 29, 2006

O golpe dos dez minutos


Você já falou com o executivo por telefone, e-mail e telefone de novo. Já explicou a pauta de trás pra frente e de frente pra trás. Aí, ele fica com a consciência pesada por estar te enrolando tanto tempo. E atende (sem querer) sua décima-quinta ligação. E joga:

- Ah, sim. Fulano, vamos fazer o seguinte. Estou terminando uma reunião aqui. Me liga daqui a dez minutos? Aí a gente mata isso.

- OK, vc responde, na sua santa ingenuidade.

Passados os tais dez minutos, você liga de novo. Mas quem diz que o executivo atende? O telefone toca, toca, toca... E nada de ninguém atender. Obviamente, ele marcou seu número e está ali, olhando pelo identificador de chamadas e rindo (muito) de você. Da sua ingenuidade de repórter que tem que entregar a matéria hoje.

Pronto. Você caiu no golpe dos dez minutos. Muito comum nas redações. E dá-lhe e-mails e telefonemas p/ tentar falar com aquela fonte de novo. Boa sorte...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Vai de Linux, Mr. Gates?

Algumas coisas que me irritaram muito esta semana...

As assessorias estão com um sério problema de não conhecer os veículos. Não sabem, por exemplo, que o site da revista que eu trabalho é SEMANAL. Ou seja, as matérias entram UMA vez por semana. As notinhas entram esporadicamente, mas sem obrigação nenhuma de competir com outros veículos hard news. Isso tudo, em 2 minutos, a pessoa sabe se ler o perfil da publicação.

Toca o telefone na sexta...

-Aqui é a assessora da empresa X, estou ligando referente a um release encaminhado sobre isso, isso e aquilo...
-Oquei, eu vou encaminhar para a editora e confirmo para você no próprio email se vamos ou não vamos publicar...

Feito isso, na segunda-feira...

-Oi Bruno, a notinha não vai subir?
-Vai sim, querida. Estou trabalhando nas matérias e assim que possível farei as notinhas...

Na quarta.
-Oi, a notinha não vai subir???...
-Vai sim, querida. Já está feita no editor on-line, mas a editora precisa aprovar.
-ô, desde segunda feira que ERA pra ter saído, hein...
-Eu sei querida, mas como eu já te disse, o nosso site é semanal. O nosso compromisso não é diário...

Engraçado. De onde eu vim, quem decide o que entra e quando entra nas revistas são os editores. Não sou eu, repórter, tampouco a assessora.

E outra coisa que está me enchendo o saco. De verdade, não existe outra expressão. As pessoas desdenham as versões on-line das publicações. Eu dou um duro danado para fazer o site toda a semana, com matérias interessantes. Todos nós sabemos que o site tem muito mais penetração que a revista...

Não, nem todos nós sabemos. Desde que eu assumi de cabeça o On-line, eu comecei a reparar nisso. Oferece o artigo, eu aceito e depois. “ah... mas não era para a versão impressa???”. Agora vamos lá. Pegue todas as edições que já saíram da revista e veja se tem UM artigo de fornecedor. Não tem. É a linha editorial.

Se as pessoas aprendessem a conhecer mais os veículos, problemas como esses não existiriam. Eu nunca chego numa entrevista, ou peço uma pauta para a empresa X sem saber o que essa empresa faz e até quais são seus maiores clientes. Um exercício simples de procurar no Google. Mais ou menos como...

“Mr. Gates, existe a oportunidade da Microsoft vender Linux ainda em 2006, dado o crescimento do sistema operacional dos últimos anos?
O ápice que motivou este texto foi ter a atenção chamada por uma assessora, refirindo-se a um ‘probleminha’ de que não tinha sido combinado que a entrevista que eu tinha feito era para o site e não para a revista....

Olha, sinto muito, na hora em que eu pedi a pauta isso não foi perguntado. E se me fosse negado a entrevista para o site que eu dou meu sangue EVERY FUCKING WEEK para mandar a newsletter, só porque é um site e não uma revista, eu viria aqui do mesmo jeito.

Nada contra quem recebe ordem, mas é fogo!

E tenho dito...

quinta-feira, setembro 21, 2006

O chefe doido


Redações são locais estranhos, que às vezes atraem um tipo de fauna só existente em ambientes corporativos. A espécie "Chefis doidus", por exemplo, costuma aparecer nas redações. O cara é dono da verdade, adora dar sustos nos pobres mortais que estão ali trabalhando, aprendendo, ganhando o pão, mais ou menos honestamente... O problema é que os "Jornalistus naturalis" são seres extremamente críticos, com o senso de justiça muitas vezes aflorado... e o que se vê, como resultado desse ecossistema, é uma baita explosão de ânimos, de jornalistas buscando novas colocações aos montes, e a fama do "Chefis tiranus" sendo pouco a pouco espalhada no mercado.
É preciso tomar muito cuidado!! Essas situações costumam ser letais, em alguns casos. O talento do jornalista pode ser totalmente desperdiçado, nessas situações.

Alguns jornalistas podem até se lembrar da seguinte cena:

Estavam todos ali, trabalhando, sossegadamente, quando irrompe a sala um autêntico espécime do "Chefis brutalis" gritando frases desconexas, temperadas com muitos palavrões e palavras de baixíssimo calão. Ele dizia mais ou menos assim:
- Quem foi nessa p. de redação que pegou a p. da chave da m. do meu carro?

Óbvio que ninguém queria a chave do carro daquele doido. Mas até que seria uma boa idéia, esconder a chave p/ ver o rosto dele ficando vermelho, vermelho, e - quem sabe - explodindo em alguns minutos de nervosismo descabido... espalhando a m. do conteúdo daquele cérebro pelos computadores... Não, melhor não.

Ah! O sujeito também tinha mania de inventar apelidos "carinhosos" para os infelizes que tinham a falta de sorte de trabalhar ali.

Enfim, coisas dos bastidores da notícia... Mas isso, como alguém já disse no Picadeiro da Informação, foi há muuuito tempo. Hoje não é mais assim (até parece).

sábado, setembro 16, 2006

A "fonte" ruim


Sabe aquela entrevista que não "rende"?? Depois, você tem que passar horas e horas "googlando" pra suprir a matéria com as informações que o entrevistado não falou...
Ou senão, aquela fonte que sabe menos do que você... É fogo!! Ou senão, aquela entrevista que você espreme, espreme e não consegue pescar nenhum "fato" realmente significativo, que sustente uma reportagem, digna do nome. Ou senão, ainda, aquele gravador que não grava direito e quando você vai ouvir a entrevista, só consegue ouvir grunhidos. Atire a primeira pedra o repórter que nunca passou por isso!

Por outro lado, existem também as fontes (poucas) que, na própria entrevista, já te dão o lead, as aspas, a fluência do texto, tudo ali. Daí escrever se torna a coisa mais fácil do mundo! Isso, independentemente do idioma. Porque saber inglês é "default". Mas, às vezes, nem sabendo inglês perfeitamente, você consegue entender o que o cara tá querendo dizer. Maybe nem ele mesmo saiba... E assim funcionam as coisas, aqui nos bastidores da notícia. E você, tem alguma história boa de "fonte" ruím? Manda aqui pro efeitopimenta@gmail.com.

terça-feira, setembro 12, 2006

sexta-feira, setembro 08, 2006

Valor agregado versus operadora irritante

-Olá, bem-vindo a operadora irritante. Aperte 1 se você é assinante. Aperte 2 se você quer ser incomodado para o resto da sua vida com as nossas promoções para você mudar para cá.
-1.
-Digite o DDD e o seu número de celular.
-11 . 9999 9999.
- (...) aperte 9 para falar com um de nossos operadores
-9.
-Central de relacionamento operadora irritante, Maria Joaquina, boa tarde.
-Boa tarde.
-O senhor poderia estar me informando o código DDD e o número do seu telefone celular.
-Mas eu já digitei...
-Sim senhor. O senhor poderia estar repetindo?
-11 9999 9999
-Em que eu posso ajudar?
-Olha Joaquina, (20 minutos explicando o seu problema)
-Senhor, a sua dúvida o senhor pode resolver na nossa central de planos. Vou estar te transferindo.
-Mas...
-Central de planos operadora irritante, Kátia Silene, boa tarde.
-Kátia, por acaso a Joaquina contou o que se passa comigo?
-Não senhor, o senhor poderia me informar o código do DDD e o número do seu...
-Caramba meu, 11 9999 9999!!!!!!!
-Em que posso ajudá-lo?
-(Mais 20 minutos)
-Senhor, estamos sem sistema, poderia retornar mais tarde para que podemos estar resolvendo seu problema?
-...


A sigla é CRM, a lenda é Customer Relationship Management. E, finalmente, a pergunta é: não é possível que todas as empresas especializadas em CRM não quebraram, porque ninguém usa essa maravilhosa ferramenta que já foi a solução para todos os seus problemas.

Fiz um teste. Meu primo possui um celular da operadora insuportável e recebeu uma ligação da operadora irritante, a minha. Eles ofereceram até a mãe do presidente da operadora irritante caso ele trocasse de bandeira.

Eu peguei as mesmas informações e no intuito de trocar de aparelho com facilidades comuniquei a operadora irritante que gostaria dos mesmos benefícios. A resposta. “As promoções e planos oferecidos são exclusivos para não clientes operadora irritante”.

Caramba, será que eles já ouviram falar em fidelização? Agora, eles que se cuidem porque a Anatel, por mais zoneada que seja, vai baixar em 2008 a decisão em relação a portabilidade. O que quer dizer que seu número será o seu, independente da operadora. Pode ser a irritante, a insuportável, ou mesmo a outra pedante, que só agora resolveu mudar de rede... É tudo a mesma porcaria.

E o que isso tem a ver com os bastidores da notícia? A gente cobre TI, fala com os caras. Eles se exibem feito pavões dos investimentos em tecnologia da informação, ferramentas de back office, planos e metas de fidelização, ganho de market share, uma puta infra de call center, mas esquecem que a gente também é usuário final.

Esquecem que eu não tenho como saber e testar no dia-a-dia um Oracle ou um SAP porque são sistemas enormes para empresas maiores. Mas o celular e os serviços de ‘valor agregado’ eu posso e confirmo a ineficiência.

Eu moro no Brooklin, bairro ontem fica a operadora irritante. Dá pra acreditar que dentro do meu apartamento existem lugares que o meu celular não pega? E eles têm a pachorra de criar uma diretoria de Valor Agregado. Sério, na operadora irritante existe um diretor de Valor Agregado. No dia em que alguém me explicar que raios significa o tal do valor agregado, eu escrevo um post em homenagem lá no Focaleando.

Já diria o poeta, como o perdão da Silvia pelo meu linguajar inapropriado. Operadora de celular, valor agregado e descaso com a base instalada de cu é rola.

Até a próxima.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Picadeiro da Informação


Sugestivo, o título, não? Pois é de um blog, que segue muito de perto a filosofia aqui do Efeito Pimenta. É muito bom!!!! Muito engraçado. Vale a pena clicar. Eu também acho que é muito melhor rir pra não chorar.