quinta-feira, novembro 21, 2013

Dupla personalidade


Geminianos costumam ser associados a pessoas de personalidade dupla e vai ver é isso mesmo. Por que eu tenho um blog "principal" (o Consulta Sentimental) e este aqui, totalmente secundário? Porque eu tenho vários assuntos para falar. Aqui, a ideia era extravasar o mau humor, falar dos bastidores da notícia, mostrar que nem tudo o que reluz é ouro, mostrar que nem a profissão de jornalista é tão glamourosa assim, etc... Mas agora, eu estou "de bem" da minha carreira, quer seja em redação, quer seja em assessoria de imprensa. Continuo a ter certeza que são atividades completamente separadas e que atendem a interesses às vezes até opostos. O que pouca gente compreende, tendo em vista um post de 2007 (que deu a maior audiência da história deste blog), atribuído equivocadamente ao meu amigo Bruno Ferrari, que nem mesmo compartilha da mesma opinião que eu.... Eu gosto de polêmica. Acho que enriquece. Mas tem que ter respeito pela opinião das pessoas... Os comentários ali foram bem raivosos.... Mas o fato é que este blog está meio empoeirado, não sei se tenho tanta necessidade como tive no passado de atualizá-lo, ou de escrever de forma anônima.
Como postei aqui outro dia.... eu estou "de bem" com a profissão e comigo mesma. O que faz com que este blog perca totalmente a sua razão de existir.... Enfim, se algum dia eu tiver alguma coisa para escrever aqui, eu volto. Não tenho coragem de apagar essa parte tão verdadeira da minha história. Que fique registrada nos anais virtuais forever.

terça-feira, maio 14, 2013

Mau humor



Se existe uma coisa que me deixa mau-humorada é a injustiça.

A pessoa dá uma ideia fantástica, executa, faz tudo o que precisa ser feito, entrevista, escreve, apura, manda e-mail, faz o escambau.

Além de não levar os "louros" perde o almoço com o filho, vê uma nova versão do texto ser perpetrada e ainda por cima tem que sorrir e fingir que tá tudo bem. Não é justo.

Mas eu preciso saber porque isso é uma coisa tão recorrente na minha vida.

Ser boazinha sempre não é legal.

Ser mau-humorada também não resolve.

A corrente do mal só aumenta se eu continuar nessa vibração.

A prestação do seguro do carro não foi debitada e o seguro do carro foi cancelado.

A porta da garagem quebrou.

Minha filha bateu o carro em uma moto.

Tá bom ou quer mais?

Tem mais, mas vou parar de falar, porque as coisas só pioram desse jeito.

Preciso mudar essa energia. Girar os chacras p/ outro lado. Saco.

quinta-feira, março 14, 2013

O Abraço Corporativo



O filme nem é novo, nem nada.

Mas lembrei dele hoje e vi que o link que postei aqui  (em 2010) está quebrado.

Então, vale a pena compartilhar de novo, porque é um filme que dá pano pra manga pra várias discussões e reflexões sobre o papel das assessorias de imprensa no mundo de hoje....

Quem viu???

Quem não viu, veja e me diga o que achou, combinado??

http://vimeo.com/27677312


quarta-feira, março 06, 2013

Trabalho em campo

Uma vez fui fazer uma palestra em uma universidade e passei a trocar uns e-mails com uma das alunas que me viu falar. Logo depois, ela me pediu um depoimento para um trabalho da faculdade, sobre "trabalho em campo". Olha só o que escrevi, em 2008:


Trabalho em campo me lembra meu "trauma" no jornalismo diário, quando trabalhei na Folha de S. Paulo (foca total) e fui cobrir um incêndio em uma favela. Seria a manchete do jornal no dia seguinte. Naquele dia, meu destino ficou traçado: eu não serviria para esse tipo de cobertura. Era um tempo (1983) em que não existiam os celulares, os jornalistas escreviam em máquinas de escrever embutidas dentro das mesas, na redação do famoso prédio da Barão de Limeira. A agenda de telefones da redação era conhecida como "seboso", e por aí vai. Do meu lado, trabalhavam outros "focas": o Ivo Patarra (filho de um jornalista famoso, com quem nunca mais tive contato) e a Kátia Militello (hoje ela é diretora de redação da INFO). 
Meu filho já tinha nascido, tinha sete meses. Meu horário era das 8 às 15hs. Mas o horário que deveria ser respeitado era apenas o de entrada (a gente batia cartão).
Naquele dia, vi a Luiza Erundina em cima de uma cadeira, fazendo discurso aos moradores da favela, que tinham perdido tudo o que possuíam. Naquele dia, tentei ouvir o que o então prefeito de São Paulo dizia (Mário Covas), com aquela voz rouca dele, devido ao tabagismo. Não ouvi uma palavra. Tentei falar com o chefe do Corpo de Bombeiros - capitão Poderoso (lembro até hoje do nome bordado na farda).
Resolvo voltar para a redação. O fotógrafo já havia terminado seu trabalho. As chamas já tinham baixado. Nunca antes eu havia visto coisa igual. As chamas tinham uns 4 metros de altura... As pessoas atônitas, tentando salvar o que podiam, gente correndo, crianças chorando. Mas nada disso importava pra "reportagem".
- Quantos mortos? - pergunta o chefe da redação, quando me vê.
- Não sei! - respondo, com cara de boboca.
- Como assim não sabe? Essa vai ser a manchete do jornal de amanhã!
Morreu ali minha carreira jornalística "de campo".
Tentei obter a informação com alguns telefonemas, mas o que eu queria mesmo era voltar pra casa, ver meu filhinho.
Escrevi minha matéria, entreguei e fui embora, bem mais tarde do que seria o meu horário.
No dia seguinte, cada jornal dava um número diferente.
 
Foi uma péssima experiência. Pensei mesmo em abandonar a carreira de jornalismo ali mesmo, mas ainda bem que existem várias editorias. Hoje, feliz, trabalho na área de tecnologia. Ela já me proporcionou três viagens aos Estados Unidos (Seattle, Carolina do Norte e Las Vegas). Isso também pode ser considerado trabalho de campo??
 
Quando eu estava na faculdade (ECA-USP), eu achava que o trabalho de campo tinha muito valor. Sonhava em fazer altas reportagens, jornalismo investigativo. Mas, na prática, vejo que hoje em dia quase não existe mais esse tipo de cobertura. Depois que trabalhei na assessoria de imprensa da Intel, durante três anos, percebi que as notícias são totalmente "plantadas" e que os jornalistas, na maior parte das vezes, são apenas "joguetes" na mão dos executivos e estrategistas de marketing e de PR (Press Relations) das corporações. Infelizmente e para minha tristeza e decepção.

segunda-feira, março 04, 2013

O que é notícia e o que não é

Às vezes, o cliente se empolga com alguma "notícia"!

E acaba contagiando a assessoria que também acha aquela notícia simpática e bacana.

No entanto, a imprensa, às vezes, não compartilha do mesmo feeling e fica difícil emplacar.

Isso é uma coisa que sempre acontece.

Nas melhores famílias!

E vive acontecendo again and again.

E a minha capacidade de indignação diante do que é considerado notícia ou não vive me tirando do sério.

Como eles podem noticiar "isso" e não noticiar "aquilo"??

E eu também já trabalhei em redação. Às vezes, os critérios são tão injustos...

Sensacionalismo, celebridades, bebebês, tem tanta porcaria na mídia....

Por que não cabe uma notícia bacana, colorida, com foto, interessante de saber??

Ah... porque é comercial....

Oras.... façameumfavor.....

E eu não deixo de me decepcionar e de me revoltar contra alguns desses critérios. ai... ai....

(pronto, falei)

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Comida: uma reflexão necessária


Você precisa ver este filme. Gaste uma hora e meia da sua vida e repense tudo o que você sabia (ou imaginava que sabia) sobre a alimentação da garotada.

Alguém precisa fazer alguma coisa a respeito.

Parabéns à diretora Estela Renner pelo primoroso trabalho documental.

Parabéns à Maria Farinha Filmes.

Veja lá.

terça-feira, janeiro 22, 2013

A estratégia


Depois de um longo período me debatendo entre ser jornalista ou ser assessora de imprensa (Ser ou não ser... ), finalmente estou em uma fase em que me considero bem resolvida com a minha profissão.
Fiz as pazes com o fato de que o emprego em assessoria é tão bom (ou melhor, muitas vezes) do que o emprego em um órgão da grande imprensa.
Passei a ver encanto em definir estratégias, em discutir hoje a notícia que o jornal publicará só amanhã (ou a revista ou o site, ou até o blog...)
Hoje, vejo que o relacionamento entre jornalistas e assessores é muito mais amigável do que foi no passado, mesmo porque uns dependem dos outros e vice-versa.
Eu queria saber se existe alguma pesquisa de alguma universidade que determine a porcentagem de notícias nascidas na assessoria de imprensa x notícias "garimpadas na unha" pelos jornalistas. Será que existe isso? Não sei. Mas meu palpite é que beira aí uns 90% x 10% do conteúdo jornalístico geral. O que você acha?