Lembra que eu contei que estava
na final do Prêmio Imprensa Embratel? Então, foi ontem a festa de premiação lá no Rio de Janeiro, aquela cidade maravilhosa, e vc, se vê a Globo, deve ter visto a emissora se gabar de ter ganho o Prêmio em algumas categorias.
A minha categoria era TI, Comunicação e Multimídia - Veículo especializado. Misturar TI, Comunicação e Multimídia já me parece algo meio forçado. Mas tudo bem. Foram 62 inscrições e eu fiquei entre as três finalistas, junto com a Roberta Gonçalves, que escreveu uma matéria bárbara sobre como a tecnologia pode ajudar na área de saúde.
Lógico que no fundo eu tinha uma esperança de que talvez o sucesso sorriria para mim, que sempre tive uma carreira tão instável e me torturei durante dias com o que eu falaria se subisse ao palco. Que roupa usaria? O que faria com o dinheiro do premio? Confesso que todas essas dúvidas me assaltaram nos últimos dias e obviamente que fiquei decepcionada por não ter sido escolhida.
Por outro lado, fiquei aliviada por não ter que subir naquele palco e encarar aquela platéia que lotava o Canecão. Não sou boa com multidões (na verdade, nunca encarei uma assim tão grande na minha life).
Agora, lá vão as minhas considerações, um pouco ácidas, as minhas análises de pessoa um tanto quanto decepcionada com a carreira.
O júri preferiu quase sempre premiar matérias com tom de denúncia, que enfocavam o drama de pessoas "esquecidas"pela sociedade, ou que falavam de violência, crimes, esse tipo de coisas. Matérias que parei de ver há tempos, em decorrência das minhas crenças espirituais.
Eu acredito que se a imprensa procurasse seguir justamente o caminho inverso, ou seja, falar das boas iniciativas que deram certo, das pessoas do bem, dos políticos honestos, das ações de caridade, então o mundo poderia de fato melhorar.
Uma das matérias "resgatou" um atleta do passado de seu presente triste, e conseguiu doações que o ajudaram a ter tratamento médico e a melhorar de alguma forma a sua vida. Nesse tipo de jornalismo, sim, eu acredito.
Acredito que denunciar por denunciar, esperando que o governo ou "alguém" faça alguma coisa não leva a nada.
No meu "discurso" ensaiado mentalmente, eu ofereceria o prêmio à minha neta, meus filhos (o que engloba a Rafa), meu marido, meus pais e diria que o prêmio tem muito significado para mim, que, depois de uma carreira extremamente instável, chegava até ali, provando que é possível equilibrar carreira e vida pessoal. "Porque eu nunca negligenciei minha vida pessoal em detrimento do trabalho e me orgulho disso", teria eu dito, caso tivesse subido naquele palco.
O problema é que eu mesma não sei se acredito nisso, hoje. O jornalismo - acredito eu - é uma das piores careiras porque exige que o jornalista enxergue a sua profissão quase que como uma religião. É preciso acreditar na profissão, no seu poder, no status que ela proporciona. O que tinha de jornalista ali convencido de que era o máximo, o rei da cocada, ou então aquela que é casada com o editor... Dúvida: porque no jornalismo o nepotismo, ao invés de ser condenado, é incensado? Não entendo isso.
Outra observação: poucos jornalistas acreditam em Deus. Apenas uma jornalista "lembrou-se" de agradecer a Deus aquele momento de glória que ela vivia.
Eu acho que optar sempre pelas matérias de denúncia é um buraco sem fundo em que o jornalismo se perde. O jornalismo poderia ter um papel mais efetivamente transformador da realidade se voltasse seus olhos e suas pautas não para o lado negativo da sociedade, sob pena de reforçá-lo ainda mais, mas para o lado positivo, o lado da Luz (e não das trevas...).
Sei que vou ser muito incompreendida por esse meu ponto de vista, que pode parecer "alienado", ou talvez muito "Poliana" demais. Porém, insisto, é preciso pautar matérias que falem do lado bom da Humanidade, de solidariedade, de amizade entre vizinhos, do pessoal que mora na favela mas é "do bem".
É preciso falar da gentileza, da delicadeza, dos bons exemplos, para que eles sim sejam copiados e reproduzidos em todo o nosso País, sem esperar pelo governo, por ninguém.
Os jornalistas que buscam as pautas focadas da violência, nos crimes e no lado negativo da realidade têm a ilusão de que os Homens estão abandonados por Deus à sua própria sorte. Mas não estão.
Eu acredito que nada nesse mundo é por acaso. Talvez aquela platéia não recebesse bem essas minhas idéias um pouco "subversivas". Mas eu acredito, no fundo da minh'alma, que estamos aqui com a finalidade de aprendermos a amar uns aos outros, a fazer pelos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Desse jeito, sim, o mundo poderia mesmo melhorar rapidamente.
Eu sei dizer que o dia foi ótimo, almoçamos no chiquetérrimo Garcia & Rodrigues, no Leblon, e o Rio de Janeiro continua lindo.
Também notei uma coisa engraçada: os cariocas têm orgulho de serem cariocas, né? Já os paulistas e os paulistanos.... parece que têm vergonha de serem assim tão sem graça. E posso falar isso, pois sou paulista e paulistana.
Bom, falei demais, e não dá pra atualizar muito isso aqui, sorry... Agora em vez de emprego quíntuplo, como já entreguei minhas matérias, estou
só com tarefas quádruplas. Rsrsrs.
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