quarta-feira, novembro 22, 2006

Aberta a temporada de prêmios!

Ontem estive no Teatro Municipal, onde aconteceu o Prêmio de Comunicação Corporativa e a comemoração do aniversário de 40 anos da ECA. Pois é... o vídeo falhou no meio - e isso foi a coisa mais "ECA" que aconteceu. Não sei porque as pessoas falam tanto da ECA. OK, é difícil entrar lá. O vestibular é concorrido etc e tal. Mas e daí? E depois que vc entra, encontra o quê? Eu encontrei um monte de professores que só sabiam escrever montes de nomes de livros na lousa (uma hora me enchi e parei de copiar, nem que eu vivesse cem anos conseguiria ler tudo o que eles recomendavam - e olha que eu adoro ler!!).
Fiz um jornal. Isso mesmo, um jornal em quatro anos de faculdade. E ainda por cima era um jornal em um formato diferenciado, que abria, virava, fechava, aquela coisa bem "ECA" de ser.
Tive aulas com o Carlos Eduardo Lins e Silva. Sobre fotografia.... E assim vai.
Como adoro uma polêmica aqui, resolvi cutucar a onça com vara curta. Vamos ver se alguém se levanta aí pra defender essa instituição. Ela pode ter sido revolucionária no começo. Mas hoje em dia? Imagine você que voltei lá depois de 20 anos. Sim, depois de 20 anos de formada. Fui fazer pós-graduação, um curso de especialização. A professora (uma daquelas que a-d-o-r-a telenovela) falou mal da Uninove. Pois bem, tinha uma menina da Uninove na classe. Saia justa.
E ela teve a coragem de indicar na bibliografia o MESMO livro que tinha sido usado na graduação... Ora... faça-me um favor...
Mesmo assim eu tô na Zeca, a tal associação dos ex-alunos. Sabe por que? Porque os alunos (e os ex-alunos) são a melhor coisa da ECA. Minha turma se reuniu recentemente. Foi interessante.
Bom, chega de papo, preciso escrever duas matérias até o fim do dia. Até.
E alguém aí pode comentar sobre os prêmios de comunicação corporativa? Acabei me estendendo demais nos comentários ácidos sobre a ECA...

terça-feira, novembro 07, 2006

Sobre polêmicas & cia.

Meu amigo Malabarista sugere que sejam retirados do blog os últimos textos, aqueles que causaram discussão, polêmica, e que magoaram meu amigo Bruno.

No entanto, eu acho que a polêmica é saúdável, ainda que algumas pessoas pisem no tomate e falem o que não deveriam ter falado. Acho que fica tão evidente p/ quem lê... Quem se exalta geralmente perde a razão.

A discussão proposta por mim deveria ter sido mais saudável, é claro. Mas, enfim, blog é uma coisa pública, aberta, não dá pra controlar quem entra, quem sai... Mas agora temos aqui um sistema de liberação de comentários, para que a coisa não degringole mais do que já degringolou. Além disso, eu deixei de me esconder por detrás do confortável nick "Efeito Pimenta" e assumi minha verdadeira identidade. Mesmo porque não tem nada aqui neste blog que eu tenha escrito, que não assine embaixo. E tô aberta a discussões, sim, desde que não resvalem para o aspecto pessoal, que não é esse o objetivo do "Efeito Pimenta". A gente aqui fala sobre fatos e opiniões.

E eu, que by the way, pra quem não me conhece, já trabalhei muitos anos como assessora de imprensa, ainda acho que as duas funções (não as pessoas) são totalmente diferentes, e até opostas. Os interesses que há por trás de cada uma delas são algumas vezes até mesmo conflitantes. E nenhum dos argumentos usados chegou a me convencer do contrário. Tem alguém aí que já esteve dos dois lados do balcão??

Parece que ninguém me compreendeu. Então, isso me leva a refletir sobre várias questões: 1) meu próprio "poder" de comunicação. Muitas vezes eu deixo algumas coisas subentendidas, mas parece que não funciona dessa forma. 2) Os mais jovens precisam ter mais aulas de interpretação de texto. Por exemplo: está claro, aqui no blog, quem escreveu o quê. Mas o post virou e-mail, foi distribuído para um "mailing seleto" e aí toda interpretação de texto pode ter ido por água abaixo. O post do Bruno, inclusive, ia contra o meu.

E o assunto já rendeu o que tinha que render. Mas tirar os textos eu acho uma atitude mais antidemocrática ainda... Não sei não.

O que vc acha??

terça-feira, outubro 31, 2006

Minha resposta...

Para não transformar o Efeito Pimenta em um espaço de debate sobre meu caráter, sugiro que leiam e sintam-se a vontade para comentar a minha resposta para isso tudo lá no meu blog particular: Pimenta nos Olhos, lá no Focaleando.

e vejam... posted by Bruno Ferrari

Jornalistas que não entendem nada, assessores bravos sem razão

Pronto. Se era polêmica que eu queria, a polêmica está armada aqui no Efeito Pimenta.
O Bruno fez um comentário que precisa ser alçado à condição de post, porque ele tenta explicar tudo. Portanto, para evitar que fatos como este voltem a acontecer, vamos a partir de agora, eliminar os comentários anônimos e eu também vou assumir minha identidade verdadeira. Os ofendidos, por favor, separem o joio do trigo, OK? O Bruno e eu nem concordamos em tudo, by the way. Muito ao contrário.

Mas quando o debate deixa de ser saudável e parte para o pessoal, a gente tem que tomar alguma providência....

Segue o comentário do Bruno:

SENHORES,
PARA OS QUE NAO PERCEBERAM, ESTE BLOG É ESCRITO POR DUAS PESSOAS. EU, QUE TAMBÉM ESCREVO HTTP://FOCALEANDO.BLOGSPOT.COM E A SILVIA ANGERAMI, ASSESSORA DE IMPRENSA POR MUITOS E MUITOS ANOS E QUE AGORA É RESPONSÁVEL POR UMA ÁREA DE CONTEÚDOS CORPORATIVOS DE UMA EDITORA PAULISTANA.

POIS BEM, O TEXTO "Glamour da profissão", de 16 de outubro, É ESCRITO POR UMA PESSOA QUE JÁ FOI ASSESSORA DE IMPRENSA E NÃO É DE MINHA AUTORIA. NO CASO, O MEU TEXTO É O DE CIMA QUE SE REFERE APENAS AO FATO DO JABÁ NAO ME INDUZIR A TENDÊNCIA NENHUMA.

PELO CONTRÁRIO, EXALTO NO MESMO TEXTO, MINHA AMIZADE COM MUITAS ASSESSORAS DE IMPRENSA, E QUE NEM POR ISSO ACABO CONTAMINADO POR EVENTUAIS INTERESSES.

CARO ANÔNIMO,

Sugiro que VOCÊ leia direito o blog e veja o autor de cada texto. Também gostaria de esclarecer que não faço a mínima questão de ser conhecido por todo o mundo. Deve ter ocorrido uma falta de interpretação de texto, mas eu em nenhum momento afirmei ser um famoooooso jornalista de tecnologia.

Enfim,

Ana Carolina Alves, que mandou para o seu seleto mailing. Acho que deveria partir de você o "Ops, pessoal, não foi o Bruno Ferrari que escreveu este texto". E para esclarecer, o texto da Silvia Angerami é uma crítica sim, mas exatamente contrária das que fizeram vocês 'assessores que se sentem rebaixados por nós, jornalistas egocêntricos' emputecidos.

Para terminar, gostaria que não questionassem minha honestidade com a profissão, minha ética e etc, sem ao menos conhecer meu trabalho. Lembro que isso dá processo e se você é tendencioso porque seu padrão que lhe paga exige isso, desculpe-me meu caro rapaz, mas você vai mal. Vai mal demais.

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Espero que todos tenham entendido. E continuo a afirmar que jornalistas e assessores são como água e óleo: não se misturam, são de praias diferentes. Ainda que as mesmas pessoas exerçam as duas funções, em momentos distintos das suas vidas, como é o meu caso. Não tem juízo de valor nessa minha afirmação. Credo. Acho que faltam aulas de interpretação de texto na graduação.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Glamour não é capricho juvenil

Como jovem repórter que é convidado para esse monte de coisa, eu digo que jabá não dá credibilidade pra empresa nenhuma. Ficar feliz por ter ganhado uma webcam, por exemplo, não implica em sair caçando notas pra escrever da empresa, tampouco ser ‘mais simpático’ aos releases recebidos.

É uma questão de cultura do mercado. Sempre foi assim. A profissão talvez não dependa de todo esse relacionamento, mas talvez seja uma tática para deixar os colegas menos estressados. “A gente ganha pouco, dorme mal, mas come muito bem e viaja tudo na faixa”. Parece que serve meio de consolo.

Não acho que o deslumbramento seja algo exclusivamente de jovens, mesmo porque a experiência ou inexperiência nesse mercado, muitas vezes, é atropelada pelos interesses comerciais. O jornalismo de TI, principalmente, vem carregado desses interesses. E com certeza o foco dos interesseiros não são os pobres focas em início de carreira, mas sim aqueles que têm o poder na mão.

Glamour? Acho que toda a profissão que mexe com o ego tem. Tem coisa mais glamourosa do que esses eventos de TI para os próprios executivos. Coquetéis regados a Uiques 18 anos, papos de “Você vai pra Angra este fim de semana? Não? Então posso usar seu iate” e por aí vai.

Bato na tecla de que o problema não é o jabá. Porque se fosse, eu não poderia ter a amizade que eu tenho com muitas assessoras e assessores de imprensa. Tem maior jabá que a amizade do cara que te vende a pauta?Acho até melhor, pra dizer a verdade, já que falar um não para um pessoa que te conhece bem é muito mais fácil. “Ih, foi mal fulano, esta pauta não vai rolar”.

Enfim, acredito que o problema, quando ele existe, vem na falta de capacidade de ser flexível, agüentar pressões, aprender com bons exemplos e repudiar os maus. Uma webcam, uma pen drive, ou uma viagem com tudo pago pra Miami, mesmo uma amizade, não muda nem um pouco meu modus operandi...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Glamour da profissão



Engraçado. Jornalistas podem ser assessores de imprensa ou jornalistas mesmo. Aqui entra a polêmica: eu, na minha modesta opinião apimentada, acho que assessoria de imprensa e jornalismo são coisas assim como água e óleo. Não se misturam (ou não deveriam se misturar).
O jornalista precisa ser crítico, enquanto o assessor de imprensa tem que rezar pela cartilha do "cliente tem sempre razão".
O jornalista é convidado para eventos, festas, coletivas, viagens, almoços.
O assessor arranca os cabelos para que os jornalistas aceitem seus convites.
O produto do trabalho do jornalista é um jornal, uma revista, um site...
O produto do trabalho do assessor de imprensa é o release (e os infinitos relatórios).
E por aí vai. A lista de diferenças cruciais é praticamente infinita.
Contribuições nos comments!

Assunto n.2:
O deslumbramento que a profissão pode causar aos mais jovens e o perigo de esquecer a ética
Estagiários são convidados a participar de eventos, ganham vários presentinhos e tendem a se deslumbrar com tanto glamour.
O perigo é que, no calor do entusiasmo, podem esquecer que estão ali não a serviço deles mesmos e do seu bem-estar, mas a serviço dos leitores do veículo para onde trabalham. Aí entram questões como credibilidade. Se o aspirante a jornalista deseja ser alguém na vida, deseja ter um nome reconhecido, precisa tentar manter uma relativa independência e não se deixar levar pelos jabás.

É isso. Concorda?

Depois eu volto, quero falar do filme "O Diabo Veste Prada". Vc viu?

sexta-feira, setembro 29, 2006

O golpe dos dez minutos


Você já falou com o executivo por telefone, e-mail e telefone de novo. Já explicou a pauta de trás pra frente e de frente pra trás. Aí, ele fica com a consciência pesada por estar te enrolando tanto tempo. E atende (sem querer) sua décima-quinta ligação. E joga:

- Ah, sim. Fulano, vamos fazer o seguinte. Estou terminando uma reunião aqui. Me liga daqui a dez minutos? Aí a gente mata isso.

- OK, vc responde, na sua santa ingenuidade.

Passados os tais dez minutos, você liga de novo. Mas quem diz que o executivo atende? O telefone toca, toca, toca... E nada de ninguém atender. Obviamente, ele marcou seu número e está ali, olhando pelo identificador de chamadas e rindo (muito) de você. Da sua ingenuidade de repórter que tem que entregar a matéria hoje.

Pronto. Você caiu no golpe dos dez minutos. Muito comum nas redações. E dá-lhe e-mails e telefonemas p/ tentar falar com aquela fonte de novo. Boa sorte...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Vai de Linux, Mr. Gates?

Algumas coisas que me irritaram muito esta semana...

As assessorias estão com um sério problema de não conhecer os veículos. Não sabem, por exemplo, que o site da revista que eu trabalho é SEMANAL. Ou seja, as matérias entram UMA vez por semana. As notinhas entram esporadicamente, mas sem obrigação nenhuma de competir com outros veículos hard news. Isso tudo, em 2 minutos, a pessoa sabe se ler o perfil da publicação.

Toca o telefone na sexta...

-Aqui é a assessora da empresa X, estou ligando referente a um release encaminhado sobre isso, isso e aquilo...
-Oquei, eu vou encaminhar para a editora e confirmo para você no próprio email se vamos ou não vamos publicar...

Feito isso, na segunda-feira...

-Oi Bruno, a notinha não vai subir?
-Vai sim, querida. Estou trabalhando nas matérias e assim que possível farei as notinhas...

Na quarta.
-Oi, a notinha não vai subir???...
-Vai sim, querida. Já está feita no editor on-line, mas a editora precisa aprovar.
-ô, desde segunda feira que ERA pra ter saído, hein...
-Eu sei querida, mas como eu já te disse, o nosso site é semanal. O nosso compromisso não é diário...

Engraçado. De onde eu vim, quem decide o que entra e quando entra nas revistas são os editores. Não sou eu, repórter, tampouco a assessora.

E outra coisa que está me enchendo o saco. De verdade, não existe outra expressão. As pessoas desdenham as versões on-line das publicações. Eu dou um duro danado para fazer o site toda a semana, com matérias interessantes. Todos nós sabemos que o site tem muito mais penetração que a revista...

Não, nem todos nós sabemos. Desde que eu assumi de cabeça o On-line, eu comecei a reparar nisso. Oferece o artigo, eu aceito e depois. “ah... mas não era para a versão impressa???”. Agora vamos lá. Pegue todas as edições que já saíram da revista e veja se tem UM artigo de fornecedor. Não tem. É a linha editorial.

Se as pessoas aprendessem a conhecer mais os veículos, problemas como esses não existiriam. Eu nunca chego numa entrevista, ou peço uma pauta para a empresa X sem saber o que essa empresa faz e até quais são seus maiores clientes. Um exercício simples de procurar no Google. Mais ou menos como...

“Mr. Gates, existe a oportunidade da Microsoft vender Linux ainda em 2006, dado o crescimento do sistema operacional dos últimos anos?
O ápice que motivou este texto foi ter a atenção chamada por uma assessora, refirindo-se a um ‘probleminha’ de que não tinha sido combinado que a entrevista que eu tinha feito era para o site e não para a revista....

Olha, sinto muito, na hora em que eu pedi a pauta isso não foi perguntado. E se me fosse negado a entrevista para o site que eu dou meu sangue EVERY FUCKING WEEK para mandar a newsletter, só porque é um site e não uma revista, eu viria aqui do mesmo jeito.

Nada contra quem recebe ordem, mas é fogo!

E tenho dito...

quinta-feira, setembro 21, 2006

O chefe doido


Redações são locais estranhos, que às vezes atraem um tipo de fauna só existente em ambientes corporativos. A espécie "Chefis doidus", por exemplo, costuma aparecer nas redações. O cara é dono da verdade, adora dar sustos nos pobres mortais que estão ali trabalhando, aprendendo, ganhando o pão, mais ou menos honestamente... O problema é que os "Jornalistus naturalis" são seres extremamente críticos, com o senso de justiça muitas vezes aflorado... e o que se vê, como resultado desse ecossistema, é uma baita explosão de ânimos, de jornalistas buscando novas colocações aos montes, e a fama do "Chefis tiranus" sendo pouco a pouco espalhada no mercado.
É preciso tomar muito cuidado!! Essas situações costumam ser letais, em alguns casos. O talento do jornalista pode ser totalmente desperdiçado, nessas situações.

Alguns jornalistas podem até se lembrar da seguinte cena:

Estavam todos ali, trabalhando, sossegadamente, quando irrompe a sala um autêntico espécime do "Chefis brutalis" gritando frases desconexas, temperadas com muitos palavrões e palavras de baixíssimo calão. Ele dizia mais ou menos assim:
- Quem foi nessa p. de redação que pegou a p. da chave da m. do meu carro?

Óbvio que ninguém queria a chave do carro daquele doido. Mas até que seria uma boa idéia, esconder a chave p/ ver o rosto dele ficando vermelho, vermelho, e - quem sabe - explodindo em alguns minutos de nervosismo descabido... espalhando a m. do conteúdo daquele cérebro pelos computadores... Não, melhor não.

Ah! O sujeito também tinha mania de inventar apelidos "carinhosos" para os infelizes que tinham a falta de sorte de trabalhar ali.

Enfim, coisas dos bastidores da notícia... Mas isso, como alguém já disse no Picadeiro da Informação, foi há muuuito tempo. Hoje não é mais assim (até parece).

sábado, setembro 16, 2006

A "fonte" ruim


Sabe aquela entrevista que não "rende"?? Depois, você tem que passar horas e horas "googlando" pra suprir a matéria com as informações que o entrevistado não falou...
Ou senão, aquela fonte que sabe menos do que você... É fogo!! Ou senão, aquela entrevista que você espreme, espreme e não consegue pescar nenhum "fato" realmente significativo, que sustente uma reportagem, digna do nome. Ou senão, ainda, aquele gravador que não grava direito e quando você vai ouvir a entrevista, só consegue ouvir grunhidos. Atire a primeira pedra o repórter que nunca passou por isso!

Por outro lado, existem também as fontes (poucas) que, na própria entrevista, já te dão o lead, as aspas, a fluência do texto, tudo ali. Daí escrever se torna a coisa mais fácil do mundo! Isso, independentemente do idioma. Porque saber inglês é "default". Mas, às vezes, nem sabendo inglês perfeitamente, você consegue entender o que o cara tá querendo dizer. Maybe nem ele mesmo saiba... E assim funcionam as coisas, aqui nos bastidores da notícia. E você, tem alguma história boa de "fonte" ruím? Manda aqui pro efeitopimenta@gmail.com.

terça-feira, setembro 12, 2006

sexta-feira, setembro 08, 2006

Valor agregado versus operadora irritante

-Olá, bem-vindo a operadora irritante. Aperte 1 se você é assinante. Aperte 2 se você quer ser incomodado para o resto da sua vida com as nossas promoções para você mudar para cá.
-1.
-Digite o DDD e o seu número de celular.
-11 . 9999 9999.
- (...) aperte 9 para falar com um de nossos operadores
-9.
-Central de relacionamento operadora irritante, Maria Joaquina, boa tarde.
-Boa tarde.
-O senhor poderia estar me informando o código DDD e o número do seu telefone celular.
-Mas eu já digitei...
-Sim senhor. O senhor poderia estar repetindo?
-11 9999 9999
-Em que eu posso ajudar?
-Olha Joaquina, (20 minutos explicando o seu problema)
-Senhor, a sua dúvida o senhor pode resolver na nossa central de planos. Vou estar te transferindo.
-Mas...
-Central de planos operadora irritante, Kátia Silene, boa tarde.
-Kátia, por acaso a Joaquina contou o que se passa comigo?
-Não senhor, o senhor poderia me informar o código do DDD e o número do seu...
-Caramba meu, 11 9999 9999!!!!!!!
-Em que posso ajudá-lo?
-(Mais 20 minutos)
-Senhor, estamos sem sistema, poderia retornar mais tarde para que podemos estar resolvendo seu problema?
-...


A sigla é CRM, a lenda é Customer Relationship Management. E, finalmente, a pergunta é: não é possível que todas as empresas especializadas em CRM não quebraram, porque ninguém usa essa maravilhosa ferramenta que já foi a solução para todos os seus problemas.

Fiz um teste. Meu primo possui um celular da operadora insuportável e recebeu uma ligação da operadora irritante, a minha. Eles ofereceram até a mãe do presidente da operadora irritante caso ele trocasse de bandeira.

Eu peguei as mesmas informações e no intuito de trocar de aparelho com facilidades comuniquei a operadora irritante que gostaria dos mesmos benefícios. A resposta. “As promoções e planos oferecidos são exclusivos para não clientes operadora irritante”.

Caramba, será que eles já ouviram falar em fidelização? Agora, eles que se cuidem porque a Anatel, por mais zoneada que seja, vai baixar em 2008 a decisão em relação a portabilidade. O que quer dizer que seu número será o seu, independente da operadora. Pode ser a irritante, a insuportável, ou mesmo a outra pedante, que só agora resolveu mudar de rede... É tudo a mesma porcaria.

E o que isso tem a ver com os bastidores da notícia? A gente cobre TI, fala com os caras. Eles se exibem feito pavões dos investimentos em tecnologia da informação, ferramentas de back office, planos e metas de fidelização, ganho de market share, uma puta infra de call center, mas esquecem que a gente também é usuário final.

Esquecem que eu não tenho como saber e testar no dia-a-dia um Oracle ou um SAP porque são sistemas enormes para empresas maiores. Mas o celular e os serviços de ‘valor agregado’ eu posso e confirmo a ineficiência.

Eu moro no Brooklin, bairro ontem fica a operadora irritante. Dá pra acreditar que dentro do meu apartamento existem lugares que o meu celular não pega? E eles têm a pachorra de criar uma diretoria de Valor Agregado. Sério, na operadora irritante existe um diretor de Valor Agregado. No dia em que alguém me explicar que raios significa o tal do valor agregado, eu escrevo um post em homenagem lá no Focaleando.

Já diria o poeta, como o perdão da Silvia pelo meu linguajar inapropriado. Operadora de celular, valor agregado e descaso com a base instalada de cu é rola.

Até a próxima.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Picadeiro da Informação


Sugestivo, o título, não? Pois é de um blog, que segue muito de perto a filosofia aqui do Efeito Pimenta. É muito bom!!!! Muito engraçado. Vale a pena clicar. Eu também acho que é muito melhor rir pra não chorar.

quinta-feira, agosto 31, 2006

E-mail diretamente dos bastidores!

Queridos amigos assessores,
Vocês precisam começar a pensar numa outra maneira de trabalhar a coluna. Deste jeito não está funcionando pra nós. Só para vocês. A quantidade de notas de assessoria tem sido grande demais. Queremos notas menos comerciais, sem que tenham, obrigatoriamente, um nome de um cliente ou de uma empresa. Vocês passam o dia todo na rua, em contato com um monte de gente bacana, com informações privilegiadas. Ponham a cabeça para funcionar e também enviem notas boas! Sejam "assessores da imprensa" (e não somente dos seus clientes). Daqui pra frente esta será a nossa moeda de troca. Sejam boas fontes e não pedintes!!!!!
bjs karla.
Karla Sarquis
Coluna Persona- Estadão
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Precisa comentar um e-mail desses? Creio que não. Ele é auto-explicativo.
Você, leitor inteligente deste blog, tire suas próprias conclusões.
O e-mail foi enviado ontem para as assessorias de imprensa.

quarta-feira, agosto 30, 2006

O famoso "retrabalho"!

Sabe o que é escrever uma matéria inteirinha, caprichar na gramática e nas vírgulas, pra depois o cliente (que tem sempre razão, lembra?) resolver, assim, do nada, que vai entrar outra matéria no lugar?? grrrrrrrrr
Pior que isso, só quando a pessoa que supostamente deve "corrigir" seu texto escreve, por exemplo, "Segue abaixo os dados"...... ...e várias situações desse tipo acontecem everyday.
Fora essa mania (irritante) de enfiar palavras em inglês onde não é preciso, que, by the way, já me contagiou!! Help!!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Semana Houston & Murphy Inc.

Veja, alguns dos problemas da última semana.

Parte I

Para se fazer um Case, seja ele de sucesso ou não, é necessário o usuário e o fornecedor. Quando o fornecedor é gigantesco e o usuário é considerado ‘médio’, entra no páreo a figura do integrador/desenvolvedor/ ISVs. Que na verdade pega o produto gigante do fornecedor gigantesco e transforma num produto ‘médio’ para uma empresa ‘média’, ‘pequeno’ para uma empresa ‘pequena’ e assim por diante.

É maravilhoso quando você entrevista o usuário e ele conta de todos os benefícios gerados pelo produto da gigante. Agora, jornalistas de TI em geral, quando o executivo, principalmente o presidente dessa empresa ‘média’, começar com o papo das complicações geradas pelo produto gigantesco, da queda de desempenho em relação ao sistema anterior... Apertem os cintos, afinal, a gigantesca tem um nome a zelar, a integradora não quer perder o direito de integrar a gigantesca na ‘média. E a ‘média’, emputecida com certos resultados gerados, vai querer usar seu veículo para demonstrar sua insatisfação.

Então como eu estava dizendo, quando esse executivo começar a falar ‘mal’ dessa tecnologia... Não, não bata o telefone na cara dele não! Peça um minuto, ligue o gravador e divirta-se depois com a pressão de quando o case não é tão de sucesso assim...

Parte II
Você pede a pauta para oito, eu disse OITO “players” de certo mercado. Coloca um deadline tranquilinho, manda algumas perguntas para não assustar a área de TI. Dá aquela ligada simpática para a assessoria, pergunta para a assessora como o fim de semana. Enfim, espera o retorno...

Daí, no último dia você liga para saber sobre a pauta e recebe a resposta pasteurizada: ‘que pauta é mesmo? Ahhh ta! vou dar uma cobrada lá’. Alguns minutos depois, ‘infelizmente a empresa X ficará fora da matéria nesta edição’.

Ficar de babá ligando todo o dia para saber da pauta é que não dá...

Enfim, espera o retorno...

Retorno? Espera!

sábado, agosto 26, 2006

Como deveria ser e como é

Como deveria ser: assessoria de imprensa e jornalistas trabalhando todos em conjunto, alegremente, para que fossem publicadas notícias na imprensa, tendo em vista o interesse dos leitores.
Como é: jornalistas antipáticos e mal-humorados pensando que os assessores de imprensa quando ligam querem é atrapalhar o serviço deles, assessores de imprensa ansiosos por ver um clipping recheado de matérias falando sobre a empresa que assessoram, custe o que custar e leitores sem ter o que ler de interessante nos jornais, revistas, etc.
É uma visão meio amarga? É. Mas infelizmente é parte da nossa realidade. Concorda? Discorda? Fala aí.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Dá licença?

A empolgação ao receber o convite para participar do Efeito Pimenta veio junto com o medo. Será que vai ser uma berlinda? Sim, porque minhas companheiras virtuais estão no chamado "outro lado da comunicação". Até as acho meio xiitas muitas vezes. Independente dos 'achismos' são profissionais que eu respeito bastante e que até aceito trocar uma idéia de vez em quando.

Repórter que cobre o mercado de Tecnologia da Informação... Pelo próprio título já dá pra imaginar que jornalistas – seres vaidosos por natureza – freqüentemente deixam essa 'particularidade' subir para cabeça em meio a tanto glamour que envolve tudo isso.

Viagens, almoços, shows, jabás. Outro dia estava conversando que – ok, o salário não é dos melhores – mas a raiva é maior quando cobrimos um mercado que não se importa em gastar dinheiro para levar uma turminha para assistir jogo da copa na Alemanha, ou passar o corporate card para pagar nossa conta no Fasano, ou para nos dar um mp3 player de 1Gb para nossos momentos de lazer. Fora quando os executivos mais chegados começam contar de suas viagens pelo mundo, suas casas em Angra... Alguém aqui já viu o iate do Larry Ellison?

No 'outro lado', o volume absurdo de material enviado pelas assessorias. Quando você chega a uma feira de grande porte, a sala de imprensa é o verdadeiro inferno. São 300 pastas, com releases de empresas vendendo a rebimboca da parafuseta da tecnologia. Serviços, Software, Hardware, até Tupperware são essenciais porque agregam valor e alavancam o negócio das empresas.

Um mercado curioso, com freqüentes micos repórteres x assessores. Aliás, esqueci de me apresentar. Meu nome é Bruno Ferrari, foca com blog e tudo. Será um prazer compartilhar experiências e discussões desse quase duelo entre coleguinhas e coleguinhas.

terça-feira, agosto 15, 2006

Vamos agitar de novo isso aqui...

Agora, sem amarras de nenhuma espécie, a gente pode falar muitas e muitas coisas que costumam acontecer nos bastidores da notícia e que ninguém tem coragem de falar.
Pra começar, vamos abordar o assunto do medo que as assessorias de imprensa passaram a nutrir sobre o poder de disseminação dos blogues. Se o jornalista do veículo "B" tem um blog, ele vai ser convidado p/ inúmeros eventos, porque os assessores se pelam de medo de que surjam comentários criticando tal ou qual comportamento ou privilégios para os jornalistas dos veículos "A". Assim, a" democracia" ganha uma nova arma. Os jornalistas dos veículos "A" deixam de ser os únicos privilegiados com a informação restrita, manipulada, coisa feia, que era prática comum entre assessores de imprensa até o século passado, antes do advento dos blogues. Tô gostando de ver. E vc??