quarta-feira, abril 23, 2008

O misterioso blog do Contorcionista


Sobre o post anterior, Contorcionista disse...
Pensei a mesma coisa. Aliás, logo que a terra tremeu fui correndo pro micro e postei no meu blog.

Mas eu não tenho o link do blog dele/dela (?) p/ conferir e retribuir a gentileza do comentário... Ou então não tenho o link certo. Porque no link que eu tenho - esse aqui - não tem esse post...

terça-feira, abril 22, 2008

Terremoto em São Paulo


E Deus disse assim:
- Chega de importunar a menina Isabela. Vcs querem assunto?? Então, toma aí um terremoto.
Amanhã vai estar em todos os jornais, emissoras de rádio e TV.
Foi de 5,2 graus, segundo o G1.

sexta-feira, abril 18, 2008

Carta a um amigo


Meu caro amigo Alexandre,

Vamos lá. Confesso que estou exausta desse assunto ultra-mega desagradável, mas preciso te explicar uma coisinha. E, com isso, colocar um ponto final nesse tema.

Primeiro, pra quem ainda não viu o comentário do meu amigo, reproduzo aqui. Ele disse assim:

Desse jeito, você está apenas fazendo juízo de valor e querendo impor sua opinião sobre os outros. As mulheres têm, sim, o direito de decidir quando querem botar um filho no mundo. Qualquer argumento usado para tentar quebrar essa permissão não passa de conversa-mole.

Você pode pensar assim, Alê, cada um pode pensar como quiser. Não, eu não tento "impor" meu ponto de vista a ninguém, não. Só quero divulgar o que eu penso sobre o assunto e cada um que tire sua própria conclusão. Convencer e impor são dois verbos com sentidos totalmente diferentes. Concorda?

O que eu acho é que a mídia fala muito pouco no assunto e quando fala, fala errado, geralmente no mesmo tom que você usa no seu comentário. A maior parte dos jornalistas pensa como você.

Mas eu não. Acredito que nenhum de nós será cobrado por aquilo que não conhecemos ainda. Mas eu não poderei ser acusada de não ter pelo menos tentado repartir o que eu sei com mais gente. Não tenho o direito de guardar o que sei só para mim.

E eu sei que existe um lugar chamado "Vale dos Rejeitados". Eu sei que no plano espiritual existem consciências extrafísicas que se deparam com o seu perispírito totalmente deformado, por terem provocado ou por terem sido vítimas desse ato cruel e egoísta que é o aborto. Eu sei que essa experiência dolorosa traz graves conseqüências. Eu sei que o arrependimento é o pior "inferno" que pode existir.

Mas - veja bem - nem assim condeno as pessoas que cometem esse ato. Condeno, isso sim, o ato. É uma diferença sutil, mas é diferente.

Nós não temos o direito de julgar ninguém, principalmente aqueles que não têm a mesma fé. Parênteses: a fé não é tão importante, mais importante é o caráter. Fecha.

Então, meu querido Alê, na qualidade de jornalista e de "dona" desse espaço virtual aqui, eu resolvi botar o dedo na ferida, ser uma voz dissonante da maioria. Resolvi avisar que existem conseqüências para esse ato, e que essas conseqüências podem ser bem pesadas, proporcionais ao quanto essa pessoa "sabe" a respeito das coisas da vida, de Deus, de Jesus, esses caras tão falados, mas tão incompreendidos nos dias de hoje.

Uso esse meu espaço aqui pra GRITAR, aos quatro cantos do mundo (pelo menos p/ quem entende português e que cai aqui por acaso, ao navegar na web) que SIM, ABORTO É CRIME, É ASSASSINATO, SIM, DA PIOR ESPÉCIE. Isso porque é um ato que acontece na surdina, por baixo dos panos, na clandestinidade, em nome de uma "liberdade" falsa, de um suposto "direito"da mulher fazer e acontecer. De fazer o que ela quiser com seu corpo.

Só que sexo é (ou deveria ser) uma comunhão de corpos e almas, e nada acontece por acaso.

Agora pasme: eu não sou a favor nem mesmo do aborto que é feito em função da concepção resultante de um estupro, assim como a nossa lei até permite.

Meu amigo, existem tantos métodos anticoncepcionais... A ciência avançou tanto nessa direção, para que nós possamos "curtir" o sexo numa boa (ele também é um ato sublime), então por que não usá-los? Por que deixar a vida se instalar para depois arrebatá-la?

Eu pensava, antes, que existia um momento mágico em que o "Espírito" se ligaria àquele feto. Mas hoje sei que não é assim. Antes mesmo do encontro do óvulo com o espermatozóide a vida que se instalará ali já está determinada, planejada, já existe "alguém" destinado a ser recebido por aquela mulher.

Por isso, o aborto não é algo natural, não é minimamente aceitável. Nem humano é, esse ato. Ao contrário, é desumano, cruel, covarde. O feto é descartado como se fosse lixo. É muito triste!!!

Se você quiser pensar de outra forma tem toda a liberdade. É o que nós, espíritas kardecistas, chamamos de livre arbítrio.

Mas nem por isso vou deixar de registrar aqui o meu sentimento a respeito desse assunto. Nem por isso vou deixar de dizer o que eu penso. Até porque eu acho que alguém precisa tentar fazer o que a mídia não faz, ou seja, divulgar certas verdades pouco faladas do Mundo Espiritual.

Mas sei que talvez ainda não seja o momento de todos nós acreditarmos nas mesmas coisas. Tudo bem. Meu recado foi dado. É isso aí.

Abraços,

Silvia

terça-feira, abril 15, 2008

O dedo na ferida


A imprensa é assim: fica batendo na mesma tecla over and over and over. Até todo mundo enjoar daquele assunto.


Mas de certos assuntos, a imprensa simplesmente não trata, ou trata de forma superficial, errada. O aborto, por exemplo. O Brasil é um país em que o índice de aborto é altíssimo. Se não existissem meios anticoncepcionais eficientes e modernos, vá lá (ou melhor, nem assim eu aceito essa idéia assassina). Mas se existem tais métodos, à disposição de todos, o aborto deixa de ser um crime justificável. Sim, um crime. É um crime ainda mais covarde, porque aquele feto não tem como se defender e nem como gritar por socorro.


Eu espero que mais pessoas pensem como eu, por elas mesmas. Porque se for depender da "imprensa", da "mídia" para esclarecer sobre esse fato, pode esperar sentado/a. Aí, as pessoas começam a pensar que as mulheres têm o direito de decidir sobre seu corpo, e tal. Papo furado. Ali naquele feto pulsa uma vida. Um projeto de vida. Desde o primeiro instante que o óvulo se junta ao espermatozóide e até mesmo muito antes. Quem acha que tem o direito de acabar com aquela vida está sim cometendo um crime covarde. É isso que eu penso.


Não conheço ninguém que tenha feito um aborto e que não se sinta mal (muito mal) com isso.

Não é a mesma coisa que ir à farmácia e tomar um remédio qualquer para dor de cabeça. Não é.

É muito diferente. É um crime (ainda bem que é crime também na lesgislação brasileira) e é algo do que se envergonhar. Mas quem se arrepende já dá um passo em direção à evolução e o erro sempre pode ser reparado.


Ando repetitiva, porque falei desse mesmo assunto no Consulta Sentimental. Mas preciso falar aqui de novo, porque acho que a imprensa brasileira precisa mudar o foco das suas pautas. E faz tanto tempo que não vejo nenhuma matéria sobre o assunto!! Ou as que vejo relativizam a coisa, suavizam o ato brutal que é um aborto.


O mais chocante é ver médicos que juraram defender a vida cometendo esse crime a torto e a direito... E parece que só a Igreja Católica é que fica lá sozinha defendendo a vida. A Igreja Católica tem algumas falhas, mas é um mérito dela essa defesa da vida.


Ah! Encontrei uma notícia atual aqui sobre o assunto. Uma notinha mirrada. Porque não se vai atrás das estatísticas sobre o aborto, não se faz um quadro, um infográfico, mostrando a posição do Brasil nessa triste estatística? Por que não se entrevistam mulheres que cometeram esse crime e que hoje mal conseguem conviver com a sua própria consciência? Ou que ficaram inférteis em função do aborto? Porque nesse caso não dá pra ouvir o "outro lado", conforme a velha regrinha da Folha de S. Paulo, o feto não fala!!! Se falasse, gritaria por socorro e pediria: "não me mate, mamãe!" Por isso que eu digo que a imprensa tem um sério problema de "pauta"!!!

Eu sou aquela pessoa que prefere os assuntos leves e os temas alto astral. Mas achei que estava na hora de botar o dedo na ferida. Nossa, como me senti mal ao buscar uma imagem para esse post.... My God!! All we need is love.

terça-feira, abril 08, 2008

Ah, a mídia!!



Eu gosto da profissão que escolhi. Tudo bem que minha ilusões de "mudar o mundo" já tenham se esvanescido, ao longo do tempo. Mas ainda acho que o jornalismo é uma coisa bacana.

Porém, há certas notícias que dão mais "Ibope" do que outras, então os chefes de reportagens ficam fazendo a suíte, em cima da suíte, da suíte, e os supostos "fatos" mal costurados vão criando uma realidade paralela. E as pessoas passam a formar a sua opinião em cima desses fatos parciais e de histórias mal-contadas.

Nessa horas, não vejo pra que serve esse tipo de Jornalismo. Com o que essa enxurrada de "matérias" está contribuindo? Isso não conscientiza ninguém, não informa, não esclarece. É o antijornalismo. Por isso que eu digo... ah, essa mídia....

Por outro lado, não vejo outra coisa em qualquer emissora de TV, em qualquer jornal. Só nos restam os blogs, mesmo. Aqui, quem faz a pauta sou eu. Dizem que "boa notícia" não vende jornal. Será mesmo?? Ainda não perdi todas as minhas esperanças.

sexta-feira, março 28, 2008

quinta-feira, março 27, 2008

Quando a situação se repete, se repete, se repet.....


Na minha vida profissional, tem uma situação recorrente, que se repete muitas e muitas vezes.
Acho que quando isso acontece, que nem naquele filme da marmota, sabe? a gente uma hora tem que ter a atitude certa pra conseguir sair desse turbilhão.
Por que, no entanto, é tão difícil de perceber que atitude é essa, quando a gente está mergulhada na situação?
Eu acho que sou uma profissional dedicada, procuro fazer as coisas direito, acho que tenho um talento, esse de escrrever direitinho e relativamente rápido.
Também acho que deixo claro que não dou importância exagerada ao trabalho. Pra mim, minha vida "particular" é mais importante. Tenho um trauma disso, acho que já contei, quando fui trabalhar naquele prédio lá da Barão de Limeira, na mesma época em que meu filho mais velho tinha 7 meses de idade. E o chefe me falou pra esquecer que eu tinha casa e família... No way, cara pálida, comigo não funciona assim.
Hoje vejo pessoas que chegaram aos píncaros da profissão com vidas particulares praticamente nulas.
Eu, hein?? acho - acho não - tenho certeza absoluta - que essas pessoas fizeram a opção errada.
Me orgulho de ser avó e de ter criado minha família, bem ou mal, porque sempre me dividi entre as duas atividades - trabalho e casa.
A famosa dupla jornada.

Agora, voltando à vaca fria.
Chega um cliente x e reclama de mim. Não PARA mim, mas DE mim, sem que eu possa me defender. O que você faria em uma situação dessas??

Eu fico triste, acabada, quero morrer. Sei que nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos (e seeeeeempre repito isso pra mim), mas a verdade é que não tá funcionando. Isso me faz desistir de tentar agradar aquela pessoa. Será que eu tenho que me esforçar mais ainda pra agradar aquela pessoa?? O que eu tenho que fazer?? Admitir que estou errada, quando minha consciência me diz que estou certíssima??

Please, I need a little help from my friends to "see" the situation from another point of view.

Quando você sabe que deu 100% de você p/ aquela tarefa chata, que você ODEIA, onde está a chave?? a solução?? Juro, não consigo enxergar. Tô magoada, chateada, ferida. Será que era isso que a pessoa queria?? Será que eu me ferindo desse jeito eu a deixo feliz?? Provavelmente sim, mas o que eu devo fazer, então?? Brigar, lutar, espernear?? Daí eu perco a razão. Talvez eu devesse ser mais política. Eis aí uma falha minha. Não consigo. Sou uma pessoa irritantemente transparente. Ai, sei lá. Mil coisas. Aceito sugestões, palpites, dicas, e até mesmo broncas, qualquer coisa. Opine, sim??

terça-feira, março 25, 2008

Levantando o astral

Embora totalmente atolada em trabalho, melhor fazer um post pra levantar o astral aqui desse blog.

Fiquei contente em ter ajudado hj uma amiga querida que trabalha em assessoria (das grandes, viu?) O caso é que as assessorias estão preocupadas com os blogs de jornalistas.

Minha listinha despretensiosa, assim rápida, só pra ajudar, incluiu os seguintes links, que quero compatilhar aqui com vc.

Ceila Santos: http://ceilasantos.blogspot.com/
Zumo: http://zumo.uol.com.br/
Dani Braun: http://brauncafe.wordpress.com/ (sobre restaurantes!!)
Renata Mesquita: http://remesquita.blogspot.com/
Pérolas: http://perolasdasassessorias.wordpress.com/
Gente, foi horrível: http://gentefoihorrivel.blogspot.com/ (vérios jornalistas contando histórias "horríveis", é engraçado)
Garota sem fio: http://www.odontopalm.com.br/gsf/
Intermezzo: http://imezzo.wordpress.com/
Vinícius Cherobino, Daniela Moreira e outros: http://dominiopublico.wordpress.com/
Picadeiro da Informação (identidades não reveladas):
http://picadeirodainformacao.blogspot.com/

Yami Trequesser (mora há anos em Londres): http://yamica.blogspot.com/ ou http://www.yamica.net/
Roseli (ela era do JT, lembra? tb mora em Londres): http://www.aventurasdelilibel.blogger.com.br/
Françoise Terzian: http://francoiseterzian.blog.uol.com.br/
Henrique Martin (só de fotos, blog "B" dele): http://fotosdohenrique.blogspot.com/
Amanda Gelumbauskas: http://malagueta.wordpress.com/ (jornalista jovenzinha, que viu minha palestra na Unicsul - eu tenho uma fã!!)
Bruno Ferrari: http://focaleando.blogspot.com/ (ele era da Conteúdo, agora é da INFO)

sábado, março 15, 2008

Falecimento

Fui demitida, certa vez, e demorei 3 anos para voltar ao mercado, definitivamente. Nesse meio tempo, fiz muitos frilas... inclusive um frila fixo de um ano em uma revista daquela editora com nome de mês, lá.
Fui tudo muito frustrante.
Até que um belo dia soube (nem me lembro mais como) de uma vaga na ADS.
Fui eu lá, com meu cv debaixo do braço.
Uma das coisas que havia lá no meu cv foi minha salvação: uma vez, fizemos um projeto de divulgação para a Universidade Federal do Ceará, foi um projeto muito bacana.
Pronto. Com isso, convenci o Antonio De Salvo, o dono da ADS, a me contratar para atender uma universidade importante, que tem sede na Vila Guilherme. Era 1989, acho.
Esta semana, chega um e-mail triste na minha caixa postal:

Nota de falecimento – Antonio De Salvo
É com profundo pesar que informamos o falecimento nesta madrugada, 11/03, do diretor-superintendente da ADS Assessoria de Comunicações, Antonio De Salvo. O velório acontece a partir das 11h, no Cemitério do Morumbi, rua Deputado Laércio Corte, nº 468. O sepultamento será realizado às 16 horas.
Natural da Sicília, De Salvo foi um dos profissionais de Comunicação mais conhecidos e respeitados do Brasil, país que elegeu para construir sua vida familiar e profissional. Há mais de 40 anos dedicou-se ao trabalho de Relações Públicas, área que ajudou a consolidar ao lado de outros grandes profissionais.

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Triste.
De Salvo fazia questão de repetir uma história que ele tinha ouvido de um chefe, quando trabalhava em uma agência de publicidade, se não me engano. Ele estava trabalhando até mais tarde e esse chefe perguntou o que ele fazia ali até aquela hora.
- Estou trabalhando, respondeu.
- Quem não consegue dar conta do trabalho no horário certo é porque é ineficiente - disse o chefe dele.
Desde então, De Salvo passou a respeitar os horários de trabalho e a mesma regra valia (acho que deve valer até hoje) para seus funcionários.
Seis horas da tarde, acontecesse o que fosse, todos desligavam seus PCs e iam pra casa. Essa era um coisa boa da ADS. Hoje em dia, quase ninguém mais trabalha desse jeito.
Antes da era do computador, dizia-se que o trabalho, ao ser facilitado pela tecnologia, liberaria o Homem (e a Mulher) para o lazer. Mas o que se vê, na prática, é um funcionário trabalhando por dois ou três.
Triste.

quinta-feira, março 13, 2008

Veja q Porcaria

Com o devido crédito, publico aqui um texto que assino embaixo (quer dizer, concordo!!). Vamos a ele, sem mais delongas:

Veja q Porcaria - a volta e o (simultâneo) fim

O Veja Q Porcaria? Aquele blog(sic) que "fala mal" da Veja? Caput. Finito. Zéfini. Parrrtiu!

E isso já faz tempo. Aqui é só porque cabe ainda acabar o porque. E lançar uma campanha mais urgente, um verdadeiro puxão de orelha pela liberdade da imprensa no Brasil.

O porque do fim do VQP é porque não tem mais porque. Hoje, a concorrência é grassa, grossa, ruge e urge por aí. Não estamos mais em 2002, e analisar a Veja como exemplo de péssimo jornalismo é tão redundante quanto fazer pipi no rio Pinheiros. E qualquer um teria mais a fazer do que ler, levando a sério (?!?) a “maior revista semanal do país” (cuja tiragem equivale a 0,5% da sua população, é bom lembrar para colocar o que parece grande na sua devida proporção). Hoje, quando algo sai na Veja, qualquer pessoa que não seja louca vai analisar a matéria para ver se pode ou não ser levada a sério. Nenhuma revista sofre leitura, ou melhor ainda, não-leitura, tão crítica.

Também posso ficar sossegado por conta de duas figuras de proa e convés, que hoje ocupam o espaço de ridicularizar a Veja de maneira mais eficiente do que eu jamais fui capaz. Em ordem alfabética, para não ser injusto, estou falando de Luis Nassif e Reinaldo Azevedo. O trabalho de ambos é incrível!

Para quem tem idade para se lembrar do Nassif da Folha de S. Paulo nos anos FHC, o Nassif do seu blog nos anos Lula é algo que merece ser chamado de “nunca antes nesse país”. Digo isso sem sacanagem. Acho legal. A entrevista dele na Caros Amigos deste mês é ótima, a análise dele sobre blogs, a emergência da classe D na opinião pública, e como idiotas cada vez mais idiotas se sucedem no comando da revista, se nunca escrevi isso já o disse em muitos botecos. O dossiê dele sobre a revista então, excelente. Vale a pena ler. Aliás, acho que a verdadeira razão desse texto é avisar aos amigos de uma vez só que eu sim, estou acompanhando-o, não precisam mandar indicá-lo mais para mim não...

Nassif tem investigado os interesses escusos da revista, além da sua inépcia, que era mais o foco do VQP. Uma obviamente está ligada à outra, e é isso que ele mostra. Dá um google por "Nassif" e "Veja" e leia...

Agora, quem tem mandado bem mesmo em ridicularizar a Veja é Reinaldo Azevedo e seu blog. Essencial. Fantástico o quanto apenas um homem obstinado é capaz de fazer para estigmatizar um veículo de imprensa. Claro o terreno era fértil, adubado. Mas observe, até o Mainardi ficou pequeno após o incrível, educado, polido, roliço, democrático, investigativo, nada conspiratório, prolixo ou egocêntrico blog do Reinaldo Azevedo. Leitura obrigatória para aqueles que querem entender a realidade por meio do método da psicologia reversa aplicado ao pseudo-jornalismo. Basta usar a fórmula matemática de inverter os sinais e dividir pela metade tudo que ele diz que você vai ter uma opinião razoável e equilibrada sobre qualquer assunto.

Agora, respire fundo, que o período é longo, sisudo, mas vamos lá: ao agrupar toda a natureza raivosa e alucinada do mais tosco conservadorismo em um só lugar, e ainda agregar seguidores em torno dele, Azevedo faz o favor de explicitar a dimensão da merda alucinada do conservadorismo a brasileira, em tempo real, o que antes era uma mera hipótese. Lovely!

Gente, o cara ainda é trotskista e está comendo o sistema por dentro, não entenderam? Afinal, só pode ser como piada que alguém defenda a guerra do Iraque e o W. Bush hoje em dia (desculpe Kamel, eu sei que você fala sério, mas é verdade).

Pena que Azevedo jamais terá o reconhecimento que de fato merece. A vida tem dessas mesmo. A direita brasileira jamais vai agradecer a esquerda por essa ter impedido que a paridade do real com o dólar fosse parar na Constituição, como na Argentina, o que faria ainda mais desastrosa a crise de 1999. Ou a privatização completa da Petrobras, o que faria a descoberta de Tupi quase indiferente para o país. E Lula jamais vai agradecer a imprensa que derrubou (na realidade, eles se derrubaram...) Antonio Palocci, José Dirceu e Luiz Gushiken. Com a substituição deles, o governo melhorou muito. É, as vezes ajudamos alguém ao tentar prejudicá-lo e vice-versa.

Mas já estou desviando do assunto, e ainda tem um relacionado a Veja que me incomoda. Desde que soube disso, ocupa a minha cabeça...Uma questão importante, não abordada e fundamental para a liberdade do exercício do jornalismo no Brasil contemporâneo.

O problema é sério. OS JORNALISTAS DA VEJA NÃO PODEM USAR BRINCOS NA REDAÇÃO.

Verdade. Estamos no século XXI, os valores ocidentais da liberdade em permanente ameaça jihadista, e os jornalistas homens da Veja estão privados de se expressarem na redação pendurando adereços decorativos nas suas orelhas, mesmo que discretos.

Incompreensível. Observe, eu entenderia, sem concordar, que não permitissem o uso de brincos ou algo aberrante durante uma entrevista com um chefe de estado conservador, ou em um país onde não fosse costume, mas proibir o uso da jóia no ambiente próprio da redação? Quem liga para isso?

É uma hipocrisia. Fala-se de liberalismo e ataca-se a obrigatoriedade do véu, e não liberam um mero brinquinho...

É uma injustiça. Defende-se a guerra do Iraque, publicam baboseiras e não se pede desculpas, quer para o Brasil a política externa e comercial do México, de tratados de livre comércio com os Estados Unidos. Esta fracassa e a brazuca dá certo e não se dá uma nota. Diz que o final de Fidel Castro é decadente (sem dizer o mesmo do Bush) só porque ele enfim, ficou velho, doente e vai morrer como absolutamente qualquer um (pensando bem, acho que era um elogio, pensavam que era imortal?). Inventam um furo mundial de 40 anos com a tese de que Che Guevara era apenas um psicopata. E nenhuma gratidão?

É isso gente, os jornalistas da Veja, que tantas fazem quando tantas fezes, apesar de tudo são obrigados a tirarem seus brincos no hall do edifício Abril. Será que nada vale aquela noite em que, corajosamente, após todas as redações evacuarem o prédio, fecharam a revista sob o risco de caírem no buracão das obras do Metrô?

Fezes, evacuarem, buracão...este meu texto está um pouco gráfico demais... Mas é impossível não pensar na importância da iniciativa privada ao falar da Veja. E claro, também da descarga.

O que será que existe em um brinco, talvez dois, de tão subversivo? Seria algo simbólico de uma coisa maior? Que neste gesto se encerra algo a mais sobre liberdade de escolha, de opções? Hoje um brinco, quem sabe amanhã pensam e escrevem por si mesmo, tomam outros rumos nas suas vidas ou até questionam as virtudes literárias e jornalísticas do Mario Sabino, e empresariais do doutor Roberto e seus Civita?

Assim não pode continuar!

Por isso, o VQP parte definitivamente dessa para muito melhor, deixando esta importante campanha: liberdade para as orelhas dos jornalistas da Veja! Porque liberdade de expressão já é pedir demais...

Grato pela atenção dispensada em todas as encarnações do boletim,
José Chrispiniano