Quando eu fiz Psicologia na PUC (calma, não me formei, foram só dois anos e meio até eu perceber que não poderia ter um "paciente"), tinha uma matéria com o pomposo nome de Problemas Filosóficos e Teológicos do Homem Contemporâneo, mais conhecida como PFTHC. Ela queria ensinar a gente, um bando de meninas em torno dos 18 anos (eu ainda tinha 17) a ter uma tal de "consciência crítica da realidade". Eu já tinha estudado no Equipe, então já tinha uma idéia sobre isso. Mas na PUC a coisa foi reforçada. Basicamente, essa disciplina me ensinou a não aceitar as coisas sem questionar. Acho que todas as faculdades deveriam ter uma disciplina como esssa no primeiro ano.
Mas toda essa introdução nostálgica (nariz de cera) foi pra falar sobre o protesto que os cegos estão fazendo contra o filme do Fernando Meirelles "Ensaio sobre a Cegueira". Querem até fazer boicote ao filme!! Fiquei indignada com isso. Não vou falar o que pensei, porque é um pouco cruel. Mas a questão é que o filme é maravilhoso e de maneira nenhuma coloca os "cegos" como "monstros", conforme alegam os que protestam. Existe gente do bem e do mal, quer sejam cegos ou não, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Acho muita ingenuidade, ou muita exacerbação do "politicamente correto", essa atitude de alguns cegos norte-americanos contra o filme. Cada uma!!
O filme é uma metáfora sensacional maravilhosa. Outro dia vi um documentário sobre o making off do filme, e via a reação emocionada do Saramago quando as luzes da sala se acenderam. Foi maravilhoso para ele ver seu filme retratado na tela com tanta poesia. A violência nunca é gratuita e é mostrada de forma quase sutil. A fotografia é esplendorosa, a trilha sonora casa direitinho com as imagens e com a história. O filme é chocantemente surpreendente, foi produzido de forma altamente profissional e àbsolutamente não merece esse tipo de recepção em território norte-americano.
Conclusão: ainda que eu acredite que seja importante conservar essa visão crítica da realidade, vamos com calma, né pessoal? Uma coisa é uma coisa e outtra coisa é outra coisa. O filme é maravilhoso e respeita os cegos. E ainda tem final feliz, o que pra mim é fundamental. P/ que a gente saia do cinema sob o impacto dele, mas com esperança de que tudo pode acabar bem.
E só mais uma coisinha: num desses livros de auto-ajuda ou de neurolinguística, aprendi uma coisa bacana. Se a gente quer reforçar o lado positivo das coisas, lutar contra o lado negativo não vai ajudar, ao contrário, apenas vai reforçar aquilo que queremos combater. Melhor reforçar o lado positivo, para que o negativo se anule. Será que fui clara?? Acho que não... Mas o tempo esgotou, outro dia explico melhor.