quinta-feira, abril 15, 2004

Vem na minha sala!
Êta frasezinha insuportável de se ouvir. Depois disso vem aquela situação em que a pessoa (no caso sua chefe) não deixa você falar, quanto mais pensar diferente dela. Mas até aí, tudo bem, acontece. Seria cômico se não fosse trágico. O pior de tudo é perceber que você é uma coisa descartável, que ela é capaz de tudo para não perder a conta, que é capaz de te descartar assim, como se estala os dedos. Está cheio de gente talentosa do lado de fora do mercado de trabalho.

Mas também não é por isso que a gente tem que ficar engolindo sapos.
- Se eu for te esperar para cada e-mail que vou mandar para jornalista, não vai dar certo.
Respondi.
Sempre fui respondona. Ia confessar (estudei em colégio de freiras) e meu pecado era sempre o mesmo:
- Respondi para minha avó.
O pior é que depois de "velha" não me acomodei. Continuo reclamona, quando vejo coisas erradas à minha volta. E são tantas coisas erradas! Só pareço calma e boazinha. Por dentro um furacão se agita dentro de mim, diante da injustiça.

Como uma chefe que te joga na fogueira e ainda assopra, p/ o fogo ir mais alto e forte, pode querer fidelidade? Isso já aconteceu duas vezes. Se eu ficar lá esperando pela terceira, é porque eu sou muito burra.

Como se não bastasse, aquele salário que você acertou quando começou a trabalhar lá virou um "prêmio". Ou seja, atrasa. Suas contas estão lá, os juros crescendo, a vergonha pelo atraso aumentando dia a dia.
- Por favor, quando eu vou receber o meu SALÁRIO?
Primeira resposta: por volta do dia 10. Sim, mas no dia 12, nada. O cheque da mensalidade da escola da filha, pré-datado para o dia 14, tem que ser segurado.
- Olha, é que eu ainda não recebi meu SALÁRIO, e por isso não pode depositar o cheque ainda, tá? Obrigada.
Falei bem alto. Para o cliente ouvir. De propósito.
Pergunto de novo:
- Quando vou receber meu SALÁRIO?
- Essa semana.
Estamos na terça, ainda. E a semana vai até sexta.

Não dá vontade de sair correndo? Dá. Dá sim. Eu mesma pergunto e respondo.

Sei lá. Vai ver que mereço isso. Piquei salsinha na tábua sagrada. Joguei pedra na cruz. Mas sou forte. Muto forte. E vou sobreviver.

Agora, vou à luta. Mais um round me aguarda. Espero não terminar com a cara na lona. Desculpe tantas metáforas, mas é que não me sinto confortável para ser mais direta.

Minha vida é uma luta de boxe. E pensar que escolhi ser jornalista...